Memória

A história em chamas: Do Museu Nacional à Estação Ferroviária de Adamantina

Um breve relato acerca dos incêndios ocorridos em prédios públicos.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Incêndio na antiga Estação Ferroviária de Adamantina, em 2000 (Acervo: Arquivo Histórico de Adamantina) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro, neste mês de setembro (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil ). Incêndio na antiga Estação Ferroviária de Adamantina, em 2000 (Acervo: Arquivo Histórico de Adamantina) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro, neste mês de setembro (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil ).

Os grandes incêndios nascem de pequenas faíscas.
Cardeal Richelieu (1585 - 1642)

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Nos últimos dias assistimos a dolorosa notícia sobre o incêndio ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Este abrigava em seu acervo inúmeros itens de elevada importância acadêmica, científica e histórica. Para se ter uma ideia superficial de sua relevância, podemos destacar que este fora residência da Família Real Portuguesa (1808-1821) e Imperial (1822-1889), foi o local onde a Princesa Leopoldina assinou a Declaração de Independência em 02 de setembro de 1822, foi o palco da 1ª Assembleia Constituinte do período republicano (1889-1891), até ser utilizado como Museu (a partir de 1892).

Além das diversas situações históricas ocorridas neste espaço, como já mencionado, cabe ressaltar as diferentes coleções (geologia, arqueologia, paleontologia, etnologia, zoologia, botânica, etc) que este abrigava em seu interior, e que infelizmente se perderam em meio às chamas.

Isso me fez lembrar de um outro espaço (neste caso, local) que também fora consumido pelas chamas, o Prédio da Estação Ferroviária de Adamantina, ocorrido em maio do ano 2000.

(Imagem: Acervo do Arquivo Histórico de Adamantina).

Pois bem, o prédio que abrigava a referida Estação, devido ao desuso, foi alvo de vandalismos e como mencionado, de um incêndio que a consumiu por completa, perdendo-se assim grande parte de nossa história e memória. Como bem se sabe, e como já fora mencionado em outro texto, aqui e acolá, dos trens que representavam o progresso no passado, só “restaram os trilhos” (e claro, a “Estação Recreio”, que poderia ser bem mais utilizada nos eventos locais).

Enfim, entre Museus e Estações destruídos por incêndios, o que ficam são os exemplos de algo similar ao que todos mencionam e interrogam postumamente, aqui e acolá: “Isso poderia ter sido evitado”? Claro que sim! Não fossem os comodismos e entraves burocráticos e desnecessários das lideranças, sejam elas, locais, estaduais ou federais. E aqui, deixo uma recomendação aos edis, tendo em vista o pouco que ainda resta dos prédios históricos de nossa cidade: Por que não retomar as discussões acerca da Lei de Tombamento no município? Fica a dica!

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

(Imagem: Tânia Rego/Agência Brasil).  

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