Memória

A Catedral, o Padre e o Incêndio

Um breve relato sobre a passagem do Padre Jerônimo Brasil por Adamantina.

Tiago Rafael Colunista
Tiago Rafael
Ilustração da futua catedra de Adamantina, trazida pelo padre Jerônimo Brasil de Carvalho, na década de 50 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). Ilustração da futua catedra de Adamantina, trazida pelo padre Jerônimo Brasil de Carvalho, na década de 50 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues).

 “A memória diminui... se não for exercitada” (Cícero).

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Nos primeiros anos de sua formação, a terrinha não contava com um local destinado à construção da Igreja Católica, conforme já relatado em outro texto, aqui ou acolá. E como se sabe, a comunidade católica sempre muito numerosa por aqui. Em meio aos diversos trâmites da época, a Igreja Matriz de Santo Antônio fora criada somente em 25 de janeiro de 1950.

Dom Henrique Gelaim, Bispo de Lins, ao qual Adamantina era subordinada, nomeou para tal paróquia o Padre Jerônimo Brasil de Carvalho. Este trouxera um quadro de uma catedral, que segundo ele, seria construída em Adamantina. Até aquele momento a terrinha contava apenas uma capela de madeira.

Ilustração da futua catedra de Adamantina, trazida pelo padre Jerônimo Brasil de Carvalho, na década de 50 (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). 

E assim, foram definidas as Comissões para tamanho empreendimento. Da mesma forma, se iniciaram as arrecadações e a constituição de uma sociedade denominada Círculo Operário Católico. Padre Jerônimo também adquiriu uma tipografia e organizou um jornal, “A voz do povo”.

Com o passar dos dias, a relação entre igreja e prefeitura se tornou bem complicada, os valores para a construção de tal catedral eram bem superiores ao estimado. O padre passou a hostilizar em seu jornal o prefeito e seus familiares, e até mesmo a figura do Papa Pio XII. Como se não bastasse a baita confusão já armada, em 10 de setembro de 1952, a capela de Santo Antônio, foi destruída por um incêndio, que na época suscitou “algumas dúvidas” sobre sua autoria.

Igreja Matriz, em 1952  (Reprodução: Livro Reviver Adamantina/João Carlos Rodrigues). 

Alguns adamantinenses, descontentes com tal situação e com as atitudes do vigário, acabaram recorrendo ao bispado, solicitando a saída do referido padre. Sendo assim, Dom Hugo Bressane de Araújo, recém nomeado bispo da Diocese de Marília, nomeou o Padre Augusto Luso da Cunha Sornas para a terrinha.

Padre Jerônimo Brasil de Carvalho (Reprodução: Livro Adamantina Jubileu de Ouro/Cândido Jorge de Lima ). 

Descontente com a decisão, o Padre Jerônimo se recusou a recebê-lo, fechando a casa paroquial. Desta forma, Padre Luso tomou posse da Paróquia do lado de fora da mesma e segundo relato do Prof. Cândido: “debaixo de um poste de iluminação pública.”

Enfim, com tanta confusão é claro que a Catedral não saiu do papel, o incêndio foi acidental, já o Padre, este foi embora em nunca mais se ouviu falar dele. Mas, independemente disto ou daquilo, ficam as lembranças e histórias de episódios que um dia marcaram o cenário religioso da terrinha.

Tiago Rafael dos Santos Alves é historiador. Acesse aqui seu perfil.

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