Coronavírus

Ministério Público recomenda que prefeitura de Presidente Prudente decrete lockdown por 15 dias

MPSP vê risco de aumento no número de mortes, “várias delas em situação de indignidade humana”.

Por: Da Redação atualizado: 8 de junho de 2021 | 15h58
Promotor de Justiça destaca que Presidente Prudente e região apresentam um dos piores índices epidemiológicos do Estado de São Paulo (Imagem/PMPP). Promotor de Justiça destaca que Presidente Prudente e região apresentam um dos piores índices epidemiológicos do Estado de São Paulo (Imagem/PMPP).

Em ofício com data desta segunda-feira (7) encaminhado ao prefeito de Presidente Prudente, Ed Thomas, o promotor de justiça Marcelo Creste, da 13ª Promotoria de Justiça da cidade, pede que o município decrete lockdown e lidere mobilização para que outros municípios da região sigam a mesma recomendação de restrição total às atividades e à circulação das pessoas.

O ofício (veja íntegra) do representante do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) considera que o momento crítico exige tomada de decisão mais radical, para tentar conter a alta transmissão da Covid-19, que repercute em crescentes internações, lotação dos leitos de enfermaria e UTI reservados para esses pacientes e esgotamento dos serviços de saúde.

O pedido é para que o lockdown seja implantado por pelo menos duas semanas. “Pelo presente, recomendo a Vossa Excelência que seja decretado verdadeiro lockdown no município de Presidente Prudente por pelo menos 15 dias, atingindo não só atividades não essenciais, mas também as atividades essenciais, ainda que com menor grau de restrição, tal como feito em Portugal e na Inglaterra”, diz o ofício. “Recomendo ainda que seja articulado com os demais prefeitos da região para que o lockdown seja regional”, continua.

A razão dessa recomendação, segundo Creste, é a atual situação da região, em especial do município de Presidente Prudente. Ele relata que há tempos a região do Departamento Regional de Saúde (DRS XI) apresenta taxa de ocupação regional de UTI Covid-19 acima de 90%.

O promotor cita que o Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente tem 40 leitos UTI Covid, mas está com 45 pessoas internadas nessa unidade (ocupação de 112,5%). Na Santa Casa de Presidente Prudente são 30 leitos UTI Covid, porém há 36 pessoas internadas (ocupação de 120%). E na rede privada, o Hospital Iamada tem 10 leitos UTI Covid, estando com 11 pessoas internadas (ocupação de 110%). “Infelizmente, a capacidade de atendimento hospitalar da região em leito UTI está esgotada. Também está esgotada a capacidade da rede pública municipal de atender casos graves de Covid-19 nas suas unidades de urgência e emergência”, menciona no documento.

Ainda de acordo com o promotor, a Central de Regulação de Vagas (CROSS) informa que nesta segunda-feira 27 pessoas aguardam em toda DRS XI transferência para leito UTI Covid, das quais 5 em estado gravíssimo. “Como se não bastasse, a procura por atendimento médico por sintomas da Covid 19 tem aumentado em muito nos equipamentos de saúde do município, tanto privados como públicos, o que serve para indicar a alta taxa de transmissão no território”, adverte o promotor.

Risco de aumento no número de mortes “várias delas em situação de indignidade humana”

Na recomendação encaminhada ao prefeito de Presidente Prudente, o promotor Marcelo Creste alerta que se não forem tomadas medidas efetivas para restringir a circulação de pessoas, e assim tentar barrar a transmissão do novo coronavírus, o cenário tende a se agravar. “A ausência de verdadeiro lockdown, aliada ao esgotamento da capacidade de resposta do sistema, que, segundo noticiado, não mais tem capacidade de expansão, levará, invariavelmente, ao aumento do número de mortes, várias delas em situação de indignidade humana. Convém lembrar que a região de Presidente Prudente, infelizmente, apresenta um dos piores índices epidemiológicos do Estado de São Paulo”, escreve. “Sobre o lockdown, talvez pela polarização política que tomou conta do país, muitos apontaram a sua ineficácia. Mas, na verdade, nunca tivemos um verdadeiro lockdown, mas sim restrições de atividade, com pouca eficiência epidemiológica e baixa efetividade social”, continua.

Outro ponto de preocupação narrado pelo promotor é a variante do novo coronavírus, na região. “Também convém lembrar que, atualmente, a região é dominada pela variante P1 do coronavírus, que, segundo alguns estudiosos, é mais transmissível e mais agressiva, provavelmente responsável pela maior letalidade em UTI, independentemente de idade do paciente e da presença de comorbidades”, observa.

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