Cidades

Fotógrafo adamantinense resgata técnica do século XIX e transforma imagens em arte atemporal

Com revelações feitas à base de ouro e prata, o processo artesanal resulta em peças únicas.

Por: Da Redação atualizado: 09:57
Gustavo Castellon revisita tecnica ancestral para produzir fotografias (Imagem: Maila Alves). Gustavo Castellon revisita tecnica ancestral para produzir fotografias (Imagem: Maila Alves).

Com um processo de revelação artesanal à base de metais nobres como ouro e prata, o fotógrafo adamantinense Gustavo Castellon, radicado em Presidente Prudente, tem conquistado espaço na mídia e no meio artístico por resgatar uma técnica quase esquecida da história da fotografia: a kalitipia (kallitype). Desenvolvida no século XIX, ela é considerada uma das precursoras dos filmes fotográficos modernos.

O método, inteiramente manual, exige preparo individual de cada cópia e o uso de elementos químicos que reagem à luz. O resultado são imagens únicas e irrepetíveis, marcadas pela textura e tonalidade próprias do processo. Cada obra é tratada como peça artística exclusiva, assinada e numerada pelo autor.

(Imagem: Maila Alves).(Imagem: Maila Alves).

Castellon aplica a kalitipia principalmente em registros de arquitetura urbana e retratos, mas também desenvolve séries que exploram sementes e flores brasileiras, conectando o olhar contemporâneo à herança visual e cultural do país.

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Entre seus próximos projetos, o fotógrafo prepara uma coleção dedicada a Adamantina, com registros de monumentos, espaços públicos e pontos históricos. As imagens devem compor uma exposição prevista para o município, oferecendo à população a oportunidade de revisitar símbolos da memória local sob o olhar poético e artesanal da fotografia do século XIX.

(Imagem: Maila Alves).(Imagem: Maila Alves).

A mostra também terá um caráter educativo, com o propósito de aproximar crianças e jovens do universo da fotografia analógica, promovendo uma experiência sensorial e reflexiva, em contraste com a instantaneidade das imagens digitais.

(Imagem: Maila Alves).(Imagem: Maila Alves).

Para Castellon, fotografar é mais do que registrar: “É dar permanência ao instante, criar algo com alma, valor e narrativa, que resista ao tempo e conte uma história”.

Com esse trabalho, o fotógrafo adamantinense reafirma o poder da arte de unir técnica, memória e emoção — transformando cada imagem em uma obra que transcende gerações.

A kalitipia: quando a fotografia se torna alquimia

A kalitipia — ou kallitype, em seu nome original — é uma técnica fotográfica artesanal desenvolvida por volta de 1842, atribuída ao cientista e inventor inglês Sir John Herschel, o mesmo que cunhou o termo “fotografia”. Trata-se de um dos processos históricos de impressão em papel com sais metálicos, sendo considerada a precursora do processo da prata-gelatina, que dominaria a fotografia do século XX.

(Imagem: Maila Alves).

Na kalitipia, o fotógrafo sensibiliza manualmente o papel com uma mistura de sais de ferro e prata, e em alguns casos utiliza também ouro, platina ou paládio, conferindo tonalidades distintas às imagens — do sépia ao preto profundo, passando por nuances de cobre e marrom. A exposição à luz solar revela a imagem de forma lenta e controlada, exigindo tempo, paciência e sensibilidade artística.

(Imagem: Maila Alves).

Diferente da fotografia digital ou das ampliações convencionais, cada cópia feita em kalitipia é única e impossível de reproduzir exatamente, já que o processo depende de variáveis como a composição química, a temperatura, a umidade e o toque do artista.

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Além da singularidade estética, a kalitipia é valorizada pela longevidade das imagens: quando bem conservadas, as impressões podem durar séculos, mantendo sua intensidade e textura originais. Por isso, é considerada uma técnica de alto valor artístico e histórico, muito utilizada em edições limitadas, retratos autorais e projetos de arte contemporânea.

(Imagem: Maila Alves).

Mais do que uma técnica, a kalitipia é uma forma de reconectar a fotografia à sua origem manual e experimental, em que a criação da imagem envolve tanto a ciência quanto a poesia do olhar — um verdadeiro diálogo entre a luz, o tempo e o gesto humano.

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