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O conservador interior paulista

Gostaria de saber, por onde anda a “inteligência” de Adamantina!?

Por: Isabel Gonçalves
O conservador interior paulista

Adamantina por muito tempo “funcionou” como exportadora de “inteligência”, isto é, muitos jovens moradores deixaram a cidade para estudar em outros centros, tanto no estado, quanto fora dele. Muitos por lá ficaram, porque se afeiçoaram a novas cidades, mas creio que, principalmente, porque não havia na cidade espaço e oferta de trabalho para que retornassem.

Adamantina é conservadora, no sentido de conservar, manter as “coisas” do jeito que sempre foram, de uma forma isso dá certa previsibilidade e pretensa "tranquilidade", mas por outro lado, não abre espaço para os novos tempos, para que o “novo mundo” adentre em seu território. O que por décadas pode ter sido bom, hoje é a perfeita ilustração da estagnação da cidade. Por este motivo, talvez até a contra gosto de alguns grupos que resistem as mudanças, esta bolha tende a estourar, ser implodida de dentro pra fora e, este movimento está diretamente ligado a FAI, pois esta acolheu parte significativa desses jovens que partiriam para novos centros e também, começou a formar “cérebros” e “inteligência” que necessitam de mercado de trabalho, alguns irão buscar este mercado fora, mas muitos permanecerão na região, como dentistas, fisioterapeutas e advogados, por exemplo, este é um movimento perceptível e sem volta.

Estes novos profissionais tendem ao movimento e assim quebrar a inércia, questionar o “status quo”, pois têm novas idéias, cultura e novas concepções de mundo que se chocam com o que está estabelecido. Estes profissionais são muito benvindos para renovar os ares “já carregados” que por estas bandas sopram, espero que sejam participativos, críticos, e que se engajem na busca de soluções para os problemas da cidade e contribuam para a construção de uma Adamantina mais “inteligente” e menos retrógrada, que é “dominada” pelos mesmos grupos que não se renovam. Não é um critica direta aos políticos da cidade, mas uma provocação para que estes se renovem e busquem reconstruir seus quadros, contar em seus partidos e chapas com “sangue” novo, gente com novas idéias, planejamento, experiência e acima de tudo, que tenham uma nova idéia de concepção de gestão para uma cidade.

É um tanto quando difícil compreender que em pleno século XXI, carregado de novas idéias inovadoras, no que tange a gestão pública e privada, ainda se pense e governe uma cidade como há décadas atrás, com uma política voltada para dentro, baseada na antiga e ultrapassada governança provinciana que privilegia grupos em detrimento de uma visão mais ampla de gestão. A moderna administração, baseada em competência administrativa e horizontalização, fundamentada em planejamento e visão em médio e longo prazo, quebra estes paradigmas arcaicos e mostra que é possível conceber uma cidade onde ninguém perde, muito pelo contrário, mas sim, onde a maior parcela da sociedade, agricultores, empresários, comerciantes, ganham. A administração do século XXI deve ser pautada no empreendedorismo, na constituição de oportunidades de bons empregos, salários e qualidade de vida.

As “coisas” estão se transformando, isto é um fato. Entretanto, isto não se trata de um fenômeno a que devemos assistir e nos adequar, simplesmente, como se entendia até pouco. A marca deste novo tempo é reconhecer os indivíduos, grupos e organizações como atores indissociáveis no processo de construção e reconstrução das estruturas e realidades. O olhar e a visão daqueles que compreendem seu papel e o potencial do alcance de suas práticas no desenho das novas “paisagens” é o líder moderno. Este olhar é o catalisador das transformações e dos processos que modela os novos tempos, em fina e interativa sintonia com as atuais demandas econômicas, políticas, tecnológicas, sociais, socioculturais e ambientais. Filtrando, assimilando, processando, criando e recriando de forma inovadora, imbuído de valores humanos e éticos e guiado por premissas sustentáveis.

Neste sentido, Adamantina precisa se reinventar não apenas no cenário empresarial, mas também político, as “cabeças” da cidade precisam perder o asco que têm de se manifestar, ou mesmo a predileção pela acomodação e participar das discussões. A população não pode mais se furtar de participar ativamente nas tomadas de decisões da cidade.

Infelizmente, meus caros, a notícia que corre e se alastra como rastilho de pólvora, nas esquinas - do movimentado centro da cidade - que são cenários e acolhem as “bocas malditas”, é que algum(s) agente(s) públicos, ligados a gestão, estão enrolado(s) até o pescoço em denúncias, com Ministério Público e polícia batendo à porta do terceiro andar e chacoalhando pretensos delírios de impunidade. Mas infelizmente, como se apenas a "pretensa corrupção” encarnada em descalabros com o erário e, sangria dos já vazios cofres públicos fossem a única “tragédia” que se abate sobre a cidade, soma-se a isso uma inabilidade, ineficiência e, em alguns casos, incompetência gestora que ganha tons trágicos, pois afeta diretamente a vida cotidiana da população.

Um exemplo dessa inércia, misturada com doses cavalares de arrogância, prepotência e “um que” de incompetência é o caso da FATEC. Li esta semana uma reportagem sobre a FATEC de Ourinhos, que está em pleno funcionamento, análisada feita pelo MEC - segundo reportagem do Jornal do Povo - a Faculdade ficou colocada entre as 12 melhores do país, e é a segunda do estado. A FATEC de Ourinhos oferece 5 curso, com duração de 3 anos, conta com aproximadamente 2.000 alunos, 80 professores e 50 funcionários. E a Faculdade de tecnologia de Adamantina?

Adamantina tem um imenso potencial para ser um polo educacional, tem já estabelecida uma Faculdade que a cada dia que passa se fortalece e pode vir a ser um centro universitário (marcado pela tríade - Ensino, Pesquisa e Extensão) para onde convirjam estudantes de toda a região, do estado e, também, atrair alunos de outros estados. Temos em Adamantina escolas particulares de extrema qualidade que formaram e formam uma gama imensa de jovens, escolas que também recebem alunos da região. Com a Faculdade de Tecnologia do Estado - FATEC se abre um novo flanco. O ensino técnico é fundamental para a formação de muitos jovens e também em sua qualificação para o mercado do trabalho. Adamantina pode ter excelência nessas três frentes educacionais e, a partir daí fazer  girar diversos negócios que dariam um “up grade” na qualidade e oferta de serviços além de um grande aporte financeiro, movimentando e fazendo rodar a economia da cidade.

Por este motivo é totalmente incompreensível que se “esnobe” uma FATEC da forma com que vem sendo feito, não há justificativas para tanto atraso e indefinição!

Quando houve uma negativa, da atual administração, para a imediata construção da FATEC em um local já vistoriado e aprovado pelo Centro Paulo Souza – o prédio que seria construído, na plano original, já contava com o projeto arquitetônico finalizado, pronto para a imediata construção - seria imprescindível que o outro terreno já estivesse pronto e determinado para a substituição do local original, mas passaram-se os anos e nada foi feito. Isso mesmo, não meses, mas anos!

Se havia um projeto de reurbanização de outras áreas de Adamantina de onde o ponto irradiador seria a FATEC, este projeto já deveria estar pronto já em 2013, não apenas em sua concepção teórica, mas com levantamento de dados do terrenos, planos de reurbanização da cidade no papel, disponibilidade de transporte público e acima de tudo a viabilidade econômica e, de onde partiria a verba que seria destinada a reurbanização dessa zona da cidade! Esta estratégia foi definida e trabalhada no plano diretor da cidade?

Eu também me pergunto, onde estão e o que pensam e realizam nossos vereadores? A gente vê “uns par” deles atuando de forma significativa e se movimentando, mas cadê o resto, afinal são 9? Buscar verbas para asfalto e o que o valha é imprescindível para cidade que carece de recursos, mas e a “inteligência”, onde fica? Onde estão projetos inovadores? Por que aprovam sem questionar projetos pra lá de insanos do executivo? Se Adamantina está imersa nesse caos, certamente alguns vereadores se descuidaram, ou foram coniventes, ou omissos, isso também é inadmissível!

Precisamos quebrar este triste ciclo vicioso de votar sem consciência crítica e receber em troca gestões incompetentes e irresponsáveis, somos também causa de nossos infortúnios, cúmplices do sistema que “acreditamos” combater.

Na realidade, somos reflexo de uma sociedade perfeitamente ajustada a um sistema mórbido e subserviente que mais nos tira do que dá. Uma sociedade que (com)vive em paz com a corrupção; com o mercantilismo da saúde;  que prioriza o tratamento de doenças em detrimento da prevenção ou até mesmo a cura; que (com)vive em paz com a violência cotidiana das ruas e com a intolerância de uma sociedade retrógrada, intolerante, conservadora e preconceituosa; uma sociedade que aceita passivamente a imensa desigualdade social e educacional de nosso país; que (com)vive em paz e sem entender as consequência da extração e destruição, sem parcimônia, de bens naturais comuns a todos nós, que são nossas riquezas naturais e nosso patrimônio cultural; e do quanto custa para toda a população a má gestão pública.

O eleitor, por seu lado, também precisa participar das discussões, deixar de ser irresponsável e personalista. Não mais encarnar aquele que não está interessado em conhecer as possíveis idéias inovadores, concretas e planejadas que um candidato idealiza para a sua cidade. Infelizmente muitos eleitores são personalistas, querem mais é saber da imagem do candidato em detrimento de seu potencial gestor, e há, também, aqueles preocupados com as possíveis boquinhas e benesses que receberão dos eleitos. São seres despolitizados que, infelizmente, infestam as seções eleitorais em dia de votação.

Está na hora de compreendermos que precisamos "combater" o eleitor despolitizado, aquele que escolhe seu candidato pelas benesses que poderá receber, ou pela simpatia, seu sobrenome, ou porque este eleitor carece de senso crítico, pois, meus caros, tudo isso pode ser catastrófico para uma cidade. Por este motivo, as discussões políticas e a participação da sociedade é fundamental, para ajudar este sujeito despolitizado a construir uma nova forma de perceber e participar da política.

Gostaria de saber, por onde anda a “inteligência” de Adamantina!? Na realidade, estão por aí, desmotivados e desconectados, mas agora é hora de unir, juntar à aqueles que caminham em sentido análogo, discutir, criticar, participar, contribuir e acima de tudo, propor soluções. É imperativo que haja uma força conjunta de atuação, uma união acima de tudo propositiva, pois não precisamos de forças destrutivas. Adamantina não pode se dar ao luxo de involuir e se esfacelar devido a disputas políticas, de egos e nas batalhas pelo poder.

(*) Isabel Cristina Gonçalves é Adamantinense, Oceanógrafa, Mestre em Educação e Doutora em Educação Ambiental. Atualmente trabalha como pesquisadora, Pós-Doutoranda, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto: "Mudanças climáticas globais e impactos na zona costeira: modelos, indicadores, obras civis e fatores de mitigação/adaptação - REDELITORAL NORTE SP"

 

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